¡Todas las leyes al servicio del trabajador! La experiencia a contracorriente de un abogado laboral en Monterrey, México.
Lylia Palacios. [53 -78]
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participation subverted the order imposed by the state or business corporate union leaderships. Work stoppages,
strikes, marches, rallies, leafleting, boycotting… Though the scales weighted more towards defeat than victory,
that did not prevent the joy of rebellion among thousands of salaried workers, women and men, who for the first
time stopped production, took to the streets and chanted slogans.
As in other cities, in the northern Mexican city of Monterrey workers sought advice among those who
understood the legal intricacies of the criminal and civil codes, and above all the labor laws: labor lawyers. In
this city, when it comes to looking for someone who is on the workers’ side and knows how to defend them,
they are a scarce good; among those few, Manuel Magallanes stands out. Even as a law student in the mid 60's,
Manuel saw from up close the injustice of the employers and the corruption of the union federations and decided
to be on the workers' side, and to this day, at 83 years of age, he is still working in his modest office.
With the resource of oral history I interviewed this passionate baseball player, insatiable law reader, young
friend of those who would politically opt for the armed way, staunch critic of the abuses in labor courts. I
describe some of the most significant experiences in his formative process and in the exercise of his profession,
which always went beyond the strictly legal; as a good connoisseur of corporate power, he encouragedthe direct
participation of workers in the defense of their demands, although he regrets never having seen the workers'
dream of union democracy come true.
Manuel's trajectory with his uninterrupted activity serves as a guide to recover and remake a subaltern history
that is full of gaps, which prevents us from seeing salaried workers as collective subjects with the
capacity for rebellion.
Palavras-chave: Classe trabalhadora, Monterrey, poder corporativo, insurgência sindical, Manuel Magallanes.
Resumo: Todas as leis a serviço do trabalhador! A experiência contracorrente de um advogado trabalhista em
Monterrey, México.
O período conhecido no México como insurgência sindical abrangeu a década de 1970 e o início dos anos 1980.
Em várias cidades industriais, a mobilização operária para democratizar suas organizações sindicais, com o
objetivo de melhorar as condições de trabalho e participação, subverteu a ordem laboral imposta pelas lideranças
sindicais corporativas, estatais ou empresariais. Paradas, greves, marchas, comícios, distribuição de panfletos,
coleta de fundos... Embora a balança tenha se inclinado mais para a derrota do que para a vitória, isso não
impediu o prazer da rebeldia entre milhares de trabalhadores assalariados, homens e mulheres, que pela primeira
vez pararam a produção, tomaram as ruas e entoaram palavras de ordem.
Assim como em outras partes no país, na cidade nortenha de Monterrey, os trabalhadores buscaram assessoria
entre aqueles que compreendiam os meandros legais dos códigos penais, civis e, sobretudo, das leis trabalhistas:
os advogados trabalhistas. Nessa cidade, são um recurso escasso quando se trata de encontrar alguém que esteja
do lado do trabalhador e saiba defendê-lo; entre esses poucos, destaca-se Manuel Magallanes, que, ainda
estudante de Direito em meados dos anos 1960, presenciou de perto a injustiça patronal e a corrupção das
federações sindicais, decidindo-se desde então pelo lado dos trabalhadores. Até hoje, aos 83 anos, ele continua
trabalhando em um modesto escritório.
Utilizando o recurso da história oral, entrevistei este apaixonado jogador de beisebol, insaciável leitor de leis,
jovem amigo daqueles que optaram politicamente pela via armada, e crítico ferrenho dos abusos nos tribunais
trabalhistas, entre outros aspectos. Apresento aqui algumas de suas experiências mais significativas em seu
processo formativo e no exercício de sua profissão, que sempre foi além do estritamente legal, pois, como bom
conhecedor do poder empresarial, ele incentivou a participação direta dos trabalhadores na defesa de suas
reivindicações.
O mérito da trajetória de Manuel, com sua atividade ininterrupta, é que ela nos serve como guia para recuperar
e reconstruir uma história subalterna cheia de lacunas, que nos impede de ver os assalariados como sujeitos
coletivos com capacidade de rebeldia.